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O motor da República

Os carros dos Presidentes

O núcleo museológico O motor da República – Os carros dos Presidentes é o resultado de um desafio, imediatamente aceite, lançado pelo Museu dos Transportes e Comunicações ao Museu da Presidência da República. Tratava-se de criar um espaço de exposição permanente onde se oferecesse ao público a possibilidade de visitar, reunida e preservada, uma das mais importantes coleções de carros do país: os que, ao longo da já centenária República, estiveram ao serviço dos seus Presidentes.

Este núcleo é também o resultado de uma consciencialização de que as viaturas aqui presentes se constituem como património histórico, razão pela qual não mais são alienadas, passando a integrar a coleção do Museu da Presidência da República assim que terminam o seu período de serviço.

O trabalho de recenseamento, localização e recuperação dos carros que serviram os Presidentes da República, uma tarefa em contínuo desenvolvimento, foi uma aposta do Museu da Presidência da República praticamente desde a sua criação, tendo-se já refletido num conjunto de exposições temporárias: logo em 2004, na inauguração do Museu da Presidência da República, e, no curso dos anos seguintes, no Porto, em Lisboa, Figueira da Foz e Guimarães.

A instalação deste núcleo no Porto vem também ao encontro do objetivo do Museu da Presidência da República em promover a descentralização da sua atividade, trazendo ao Norte do país, região com grande tradição no colecionismo automóvel, uma parte do seu acervo. Por outro lado, proporciona-nos a oportunidade de, conduzidos pelos motores da República, dar a conhecer aos visitantes a história da República Portuguesa e da instituição presidencial.


A exposição está estruturada em 3 núcleos:

Do hipomóvel aos pioneiros

Com a implantação da República em 1910, os Presidentes, legítimos representantes do Estado, e à semelhança do que acontecia com os monarcas, careciam da disponibilização de meios de transporte para o exercício das suas funções. O espírito de maior austeridade, subjacente ao jovem regime, impõe, desde logo, restrições e regras para a utilização de carruagens. Ao Presidente do Governo Provisório é cedida uma carruagem herdada da Casa Real onde é aposta a esfera armilar. Só mais tarde, depois de instalada a Presidência da República no Palácio de Belém, é criado o serviço de Equipagens e constituída uma pequena frota de viaturas hipomóveis para o serviço do Presidente.

É justamente nesta época que o automóvel vai progressivamente ganhando importância e conquistando as ruas e estradas do país. As vias de comunicação ganham novo impulso durante a I República. A par da linha férrea, também o mapa das estradas se alarga e estende a todo o território. O automóvel torna-se o motor da República.


O Estado Novo e as viaturas de aparato

Em 1926, o golpe militar de 28 de maio vem instaurar uma Ditadura Militar e, consequentemente, um período de agitação social que se estende até 1928, e se estabiliza com a supremacia no poder da fação liderada por Óscar Carmona. Com o novo regime político, consolidado pela Constituição de 1933, os poderes do chefe do Estado são substancialmente reforçados. No entanto, as vicissitudes da vida política acabariam por conduzir à concentração de poderes na pessoa do Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, ficando o Presidente da República confinado a funções de representação. O facto de Óscar Carmona ter optado por residir no Palácio da Cidadela, em Cascais, criou a necessidade de a Presidência da República adquirir novas viaturas para o transporte do chefe do Estado. Assim, no final da década de 1930, diversos automóveis Packard foram integrados no parque de viaturas da Presidência da República, sendo que um deles foi colocado especificamente ao serviço da Primeira-Dama, Maria do Carmo Carmona. Durante toda a década de 1940 foram esses os automóveis mais utilizados por Óscar Carmona. Ainda na década de 1930, e na sequência de um atentado contra a vida de Salazar, o Estado Português, através da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), adquire dois Mercedes 770 W07, blindados, um para o serviço do Presidente do Conselho, outro para o Presidente da República. Esta viatura teve pouca utilização devido aos seus elevados custos de manutenção e consumos (cerca de 70l/100km) em período de racionamento de combustíveis, na sequência da II Guerra Mundial. Mais tarde, foi usada, por motivos de segurança, durante a visita oficial a Portugal do Generalíssimo Franco, chefe do Estado espanhol, em 1949. Após a morte do Presidente Óscar Carmona, em 1951, é escolhido para o substituir na chefia do Estado um general da Aeronáutica Militar, Francisco Craveiro Lopes. A sua presidência dura apenas um mandato, que se estende até 1958. Foi neste período que se realizaram algumas das visitas de maior aparato ocorridas durante o Estado Novo. Nestas ocasiões, organizava-se geralmente um grande cortejo pela cidade de Lisboa, com percurso entre o Aeroporto da Portela e o Palácio Nacional de Queluz, ou de Belém, com escolta de honra pela Guarda Nacional Republicana. O encerramento do comércio no dia da chegada de chefes de Estado estrangeiros, ou quando o Presidente da República regressava de visitas oficiais era habitual, de forma a permitir que a população acorresse em grande número para o saudar. As viaturas utilizadas adaptavam-se a este novo contexto.



A Democratização das Viaturas Presidenciais

O novo regime democrático trouxe profundas alterações ao parque automóvel da Presidência da República. Para o serviço dos marechais António Spínola e Francisco Costa Gomes foram disponibilizadas duas viaturas Mercedes, adquiridas em 1973. Mas foram sobretudo viaturas militares que ambos os Presidentes e ainda o general Ramalho Eanes utilizaram. Automóveis de menor aparato, mais velozes e seguros, que haviam sido adquiridos, na sua maioria, durante o período em que assumiram funções no Estado-Maior-General das Forças Armadas. Do Estado Novo, conservam-se, ainda assim, quatro viaturas de aparato, reservadas ao serviço protocolar: Rolls Royce Phantom III e V, o Mercedes 600 Pullman e o Vanden Plas Princess.




Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
Exposição O Motor da República: os carros dos Presidentes
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