Virgílio no século I A.C
Autor do mês de novembro da Biblioteca da Alfândega do Porto
6 de novembro, 2026
Públio Virgílio Maro, nascido em 70 A.C. e falecido em 19 A.C., foi a figura central da literatura romana no século I A.C., tendo a sua obra acompanhado a violenta transição entre o fim da República Romana e a consolidação do Império sob o comando de Augusto.
Integrado no prestigiado círculo de Mecenas, o poeta colocou o seu talento ao serviço da pacificação social e da reconstrução dos valores morais romanos após décadas de destrutivas guerras civis.
A trajetória literária de Virgílio seguiu uma evolução rigorosa que começou com as Bucólicas, uma coleção de poemas pastorais fortemente inspirados na tradição grega de Teócrito, onde misturava o idealismo rústico com as dores reais da perda de terras provocada pelos conflitos civis. Mais tarde, consolidou o seu estilo com as Geórgicas, um poema didático dedicado à agricultura, à pecuária e à apicultura que glorificava o trabalho árduo da terra e o regresso às tradições agrícolas de Roma.
A sua obra-prima acabaria por ser a Eneida, encomendada e incentivada por Augusto César para dotar Roma de uma grande epopeia nacional que rivalizasse com os poemas de Homero. Em doze livros, o poema narra a saga de Eneias, o príncipe troiano que foge da destruição de Tróia e viaja até à península Itálica para lançar as bases da civilização romana, legitimando simultaneamente a linhagem divina da família imperial.
Virgílio morreu em Brindisi antes de conseguir concluir a revisão final da obra e ordenou no seu testamento que o manuscrito incompleto fosse queimado, mas o próprio imperador Augusto César interveio para impedir a sua destruição, ordenando a publicação da epopeia que viria a moldar profundamente toda a literatura ocidental.