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Laurence Sterne

Autor do século XVIII que inspirou Machado de Assis e inventou o desvio literário

1 de setembro, 2026
Imagem: Laurence Sterne by Sir Joshua Reynolds
Imagem: Laurence Sterne by Sir Joshua Reynolds
Se pensa que a literatura do século XVIII é feita apenas de linguagem formal, moralismos e histórias lineares, Laurence Sterne, (Clonmel, Irlanda 24 novembro de 1713 - Londres, 18 março de 1768) veio para provar exatamente o contrário.
Clérigo anglicano de dia e um dos escritores mais excêntricos da história à noite, Sterne, famoso pelo romance “ A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy”, revolucionou a forma de contar histórias ao transformar a própria distração numa forma de arte. A sua abordagem escrita é um ato de pura rebeldia criativa. 

A narrativa desenvolve-se sem pressa de chegar ao fim, interrompendo constantemente a linha do tempo com digressões, piadas filosóficas e reflexões sobre o próprio ato de escrever. Sterne brincou com a forma impressa, desafiando o leitor com recursos visuais inéditos para a época e mostrando que o pensamento humano raramente segue uma linha reta.

Ao romper com todas as regras tradicionais, não só criou uma obra de humor brilhante, como antecipou em quase dois séculos o fluxo de consciência e as técnicas que viriam a consagrar gigantes do século XX, como James Joyce e Virginia Woolf. A sua escrita cruzou fronteiras e influenciou profundamente grandes mestres da língua portuguesa, servindo de inspiração direta para a ironia de Machado de Assis e para o estilo livre de Almeida Garrett.

Numa era dominada pela pressa e pelo consumo rápido de informação, a prosa de Sterne surge como um elogio ao valor de perder o caminho. Lembra-nos de que as melhores histórias e as reflexões mais profundas acontecem precisamente quando nos permitimos desviar do plano original.

Ler Laurence Sterne continua a ser uma das experiências mais surpreendentes e libertadoras da literatura ocidental.