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Objetos & Memórias

Cravo em crochet

24 de abril de 2020
Cravo em crochet produzido com linha de algodão vermelha e verde
Coleção Museu da Presidência da República | nº inv. D.2013.3 71 (7)
Da mitologia grega e romana até à Revolução de 25 de Abril de 1974, o cravo transportou sempre consigo múltiplos significados.
A 25 de abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas derrubou o Estado Novo, regime que vigorava em Portugal há mais de quatro décadas. Nesse dia, os militares foram efusivamente apoiados pelos populares que, na sequência da revolução, encheram as ruas de slogans e cravos vermelhos. Foram tempos de esperança mas também de incerteza.

A peça que o Museu destaca de modo a assinalar o dia da Revolução foi executada por Maria Cláudia de Almeida, de 82 anos, em linha de algodão vermelho e verde, e oferecida a Costa Gomes (Presidente da República entre 1974 e 1976) no dia 1 de maio de 1975, nas comemorações do Dia do Trabalhador e um ano após a Revolução do 25 de Abril. Francisco da Costa Gomes toma posse como Presidente da República, a 30 de setembro de 1974 sucedendo a António de Spínola. O seu mandato será marcado pela necessidade de reconhecimento internacional da democracia portuguesa e pela obtenção de apoios externos nas áreas económica, política e institucional. O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi Celeste Caeiro, florista em Lisboa, quem iniciou a distribuição de cravos pelos populares que os ofereceram aos soldados. E são cravos os pontos vermelhos que se destacam no cartaz produzido por Vieira da Silva e que serviu de ilustração à inesquecível frase de Sophia de Mello Breyner «a poesia está na rua».

Ato, porventura fortuito, talvez não tenha tido em consideração a simbologia ancestral que esta flor transporta consigo. Flor originária do continente asiático, o cravo é conhecido cientificamente por dianthus caryophyllus e referido na mitologia grega e romana. Em Roma é conhecida como “Flor de Júpiter” por ter características semelhantes ao deus homónimo que, na mitologia romana, toma o lugar de Zeus da mitologia grega. Há mais de 2000 anos os gregos utilizavam os cravos em coroas de cerimónias e no período do Renascimento os cravos são sinónimo de fidelidade matrimonial.

Com aroma muito próprio e delicado é uma das flores mais utilizadas no fabrico de incensos e perfumes. O perfume forte não sendo tolerado por muitos insectos torna o cravo um excelente pesticida natural. De cores muito variadas, apresenta abundância de pétalas, um caule verde retilíneo que, dependendo das espécies, pode alcançar até um metro de altura.

O cravo em crochet bem como um diversificado espólio patrimonial (ofertas a Presidentes da República, correspondência, condecorações civis e militares, cartazes) cedido pelo Museu da Presidência da República complementa a exposição “O motor da República: os carros dos Presidentes”. Neste projeto expositivo, resultante de uma parceria estabelecida entre aquele Museu e o Museu dos Transportes e Comunicações, as viaturas (hipomóveis e automóveis) que serviram a Presidência da República Portuguesa desde 1910 até ao mandato de Jorge Sampaio permitem, pelo seu valor histórico e museológico uma viagem em movimento pela história contemporânea de Portugal que atravessa os três períodos da República: a 1ª República, o Estado Novo ou Ditadura e a Democracia.

Cravo em crochet produzido com linha de algodão vermelha e verde
Maria Cláudia de Almeida
Portugal, 1975
Coleção Museu da Presidência da República – nº inv. D.2013.3 71 (7)

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