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Clarence: hipomóveis da Monarquia

Protagonizaram transição para a I República

25 de maio de 2021
Clarence: hipomóveis da Monarquia
Com a implantação da República em 5 de outubro de 1910, os Presidentes, legítimos representantes do Estado, e à semelhança do que acontecia com os monarcas, careciam da disponibilização de meios de transporte para o exercício das suas funções. O espírito de maior austeridade, subjacente ao jovem regime, impõe, desde logo, restrições e regras para a utilização de carruagens. Ao Presidente do Governo Provisório, Teófilo Braga, é cedida uma carruagem herdada da Casa Real onde é aposta a esfera armilar. Só mais tarde, depois de instalada a Presidência da República no Palácio de Belém, é criado o serviço de Equipagens e constituída uma pequena frota de viaturas hipomóveis para o serviço do Presidente.
A caixa tem dois lugares principais e banqueta suplementar, apresentando cinco janelas com estores de rolo em cetim. No rodado, molas elípticas à frente e semi-elípticas com cruz na traseira e pneus de borracha, dão maior comodidade aos passageiros. O banco do cocheiro, solidário com a caixa, é mais elevado e apresenta do lado direito travão de disco. Era puxado por dois cavalos.

O nome desta viatura citadina, com capacidade para três passageiros, tem origem no Duque de Clarence, rei de Inglaterra – Guilherme IV - entre 1830 e 1837. Este veículo tem a estrutura de uma berlinda em que se substituiu a parte da frente da caixa por vidraças retangulares ou circulares tornando a sua aparência mais ligeira. A sobriedade da caixa contrasta com a exuberância do interior, decorado com tecidos de luxo nos estores e nos bancos. Construída pelo fabricante francês Binder é um exemplo desta classe de veículos que marcaram a rotina de todo o século XIX e início do século XX.

Ficha Técnica
Hipomóvel Clarence – viatura de cidade com capacidade para 3 passageiros
Fabricante Binder, França, Século XIX
Coleção Museu da Presidência da República – nº inv. D.2013.2.

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