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Novela Aduaneira XVI

As Alfândegas vistas por Madame Ratazzi

9 de junho de 2021
Coleção Aduaneira in exposição “Metamorfose de um Lugar: Museu das Alfândegas” © Arquivo AMTC
“As Alfândegas são uma verdadeira riqueza para Portugal, especialmente as de Lisboa e Porto. São os cofres que fornecem o dinheiro necessário à sua subsistência.
Há muito poucas mercadorias que entrem no País sem pagamento de direitos, estando grande parte sujeitas a elevadas taxas. Não é fácil entrar um pacote, uma mala, uma caixa, ou mesmo um canário empalhado, sem ser visto, revisto, examinado ou farejado em todos os sentidos.

A Alfândega de Lisboa é o monumento mais considerado da cidade. Está povoada por uma multidão de funcionários fardados que à primeira vista, parecem oficiais da marinha. São de todas as idades e de todas as categorias. Um chefe está instalado numa espécie de gaiola de vidro cuja utilidade, não compreendi, mas com que procura salvaguardar a sua dignidade, embora, como é natural, já tenha galões mais dourados que os outros funcionários. Na razão directa do interesse que este chefe me mereceu, gostaria que ele utilizasse a influência que certamente deve ter na sua Administração para fazer desaparecer a gaiola em que se encontra encerrado. Dá-lhe o aspecto de um macaco embalsamado, protegido das variações de temperatura.

O movimento da Alfândega de Lisboa é dos mais significativos, o que não será de estranhar visto lhe passar tudo pelas mãos”.

Excerto de “Le Portugal à vol d’oiseau” - visita a Portugal em 1878 de Madame Ratazzi (Itália 1833-1902)

Fotografia: Caixa de fecho de navio utilizada para transporte de carimbos e impressos para fechar mercadorias a bordo dos navios para que não fossem vendidas como contrabando. Coleção Aduaneira in exposição “Metamorfose de um Lugar: Museu das Alfândegas” © Arquivo AMTC

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