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Novela Aduaneira XII

Os Boletins Aduaneiros

6 de abril de 2020
Oliveira Martins, in “O Repórter” 9 de Julho de 1888; excerto publicado na ALFÂNDEGA Revista Aduaneira s/d
Oliveira Martins, in “O Repórter” 9 de Julho de 1888; excerto publicado na ALFÂNDEGA Revista Aduaneira s/d
“Temos perante nós o boletim das alfândegas relativo ao mês de Abril.
É para documentos como estes que apelávamos ainda o outro dia, pois são os números que regem o Mundo, são eles que afinal sentenceiam em última instância com uma impassibilidade fria, nem sempre companheira do juízo dos homens. (…)
Nos quatro meses de Janeiro a Abril de 1887 importámos 12.325 contos e exportámos 7.822: soma 20.147. Em igual período deste ano, comprámos 13.871 contos e vendemos 8.000: soma 21.871. Cresceu, pois o comércio? Cresceu; cresceram as importações 1.546 contos e as exportações 178. Já não queremos saber a relação em que normalmente se encontram entre nós as importações e exportações, nas condições conhecidas da nossa fisiologia económica. Queremos apenas demonstrar como o próprio aumento do nosso comércio exprime os progressos da crise, porque sobre os acréscimos da importação vemos figurarem mais 342 contos de trigo. (…)

Noutro tempo dizia-se que nada valia importar-se trigo porque se exportava vinho; e os valores do segundo eram muito maiores do que os do primeiro, e muito maiores os lucros agrícolas. Ora o boletim de Abril vem mais uma vez mostrar a inexactidão disto, porque estamos importando cada vez mais trigo e exportando cada vez menos vinho. (…)

Outros sintomas da crise da crise é a baixa das importações de bacalhau e açúcar. Esta nota vai longa e estes temas são massadores. Ponhamos ponto, e fique para amanhã o que diz respeito aos rendimentos.”

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